A retomada gradual das atividades em meio à pandemia da COVID-19 fez a produção industrial do Brasil esboçar recuperação em maio, o terceiro mês com medidas de isolamento social decretadas em todo o país para conter o avanço do novo coronavírus.

A influência positiva mais relevante foi no setor de Veículos automotores, reboques e carrocerias

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o setor se recuperou 7% na comparação com abril, quando havia caído 18,8%, indicando que o fundo do poço já ficou para trás. Em março, o recuo tinha sido de 9,2%.

Na comparação com maio do ano passado, porém, ainda é possível ver como os efeitos econômicos ainda são sentidos, com recuo de 21,9%. É o sétimo resultado negativo nessa base de análise. A recuperação se deve principalmente por uma base de comparação muito baixa, ocasionada pela queda generalizada durante a pandemia.

Com algum tipo de volta à produção em maio, após um mês praticamente inteiro de paralisação, todas as grandes categorias econômicas registraram crescimento.

A influência positiva mais relevante foi no setor de veículos automotores, reboques e carrocerias, com crescimento de 244,4%, interrompendo dois meses seguidos de queda na produção. Apesar disso, a expansão ainda ficou 72,8% abaixo do patamar de fevereiro de 2020, último mês antes do COVID-19 começar a causar impactos na economia.

Na comparação com maio de 2019, o setor registrou recuo de 74,5%. Outros destaques foram nos setores de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis, com alta de 16,2%, após perda acumulada de 20% nos três  meses anteriores, e também no segmento de bebidas, com 65,6%, recuperando parte da redução de 49,6% acumulada entre março e abril.

O registro negativo de abril havia superado até a queda de 11% de maio de 2018, quando ocorreu a greve dos caminhoneiros. Porém, aquela produção foi resposta no mês seguinte, algo que não aconteceu agora, já que as medidas de isolamento social continuaram em maio. O primeiro óbito conhecido de COVID-19 no país ocorreu no dia 17 de março. A partir daí, com o avanço da doença, o país promoveu o distanciamento social como forma de combater a pandemia.

As medidas restritivas causaram efeitos econômicos e intensificaram o aumento do desemprego no Brasil, que chegou a 12,9% no trimestre encerrado em maio, e contribui para que 7,8 milhões de posto de trabalho fossem perdidos. A população ocupada teve uma queda recorde de 8,3%.

Texto: Agências de notícias
Foto: Hyundai/Divulgação