Um ex-secretário particular da vice-presidente da Argentina, Cristina Kirchner, foi encontrado morto, no sábado (4), após mais de uma semana desaparecido. Conforme as autoridades, o advogado Fabián Gutiérrez, de 46 anos, sofreu tortura, levou pancadas na cabeça, três facadas e morreu por asfixia.

Os resultados da autópsia, divulgados na segunda-feira (6), não deixam dúvidas: a morte de Fabián Gutiérrez foi extremamente violenta.


O corpo do advogado foi encontrado em uma casa na cidade de El Calafate, na província de Santa Cruz, onde Cristina e seu marido, o ex-presidente Néstor Kirchner, possuem propriedades e uma rede de hotéis.

Segundo Gabriel Giordano, advogado da família Gutiérrez, o ex-secretário dos Kirchner estava sendo vítima de extorsão, porém não revelou quem faria as ameaças. A polícia de Santa Cruz que investiga o caso, trabalha com hipótese de crime político ou passional.

Giordano disse que apresentou à polícia "evidências concretas da extorsão" e que a família pedia que o crime não fosse explorado de modo sensacionalista. O assassinato, porém, teve grande repercussão na imprensa local, uma vez que a vítima tinha conexão particular com Cristina. A escolha da promotora Natalia Mercado também gerou polêmica, uma vez que ela é sobrinha da vice-presidente.

No domingo (5), quatro suspeitos foram detidos: os irmãos Facundo e Santiago Zaeta e Facundo Gómez Chávez e Pedro Monzón. Parte da imprensa argentina levantou a hipótese de queima de arquivo, pois Gutiérrez era testemunha no escândalo conhecido como "caderno da corrupção".

A investigação se baseia em anotações feitas em cadernos escolares pelo motorista Oscar Centeno, ex-funcionário do Ministério de Planejamento, durante os mandatos de Néstor e Cristina, de 2003 a 2015. Os registros revelam, quando e para quem foram entregues pacotes de dinheiro como suborno para concessão de obras públicas orçadas em mais de US$ 160 milhões (R$ 850 milhões).

De acordo com as anotações nos "cadernos da corrupção", o esquema envolvia o casal Kirchner, ministros e empresários. Durante a investigação, Gutiérrez foi acusado de enriquecimento ilícito. Ele aceitou colaborar com a Justiça em um regime de "delação premiada" e depôs contra o casal de ex-presidentes.

Texto: Agências de notícias
Foto: AFP/Reprodução