Considerada a cidade mais italiana do Brasil, Antônio Prado, localizada na Serra Gaúcha, distante apenas 170 quilômetros de Porto Alegre, capital do Rio Grande do Sul, celebrou em janeiro deste ano, os 30 anos de tombamento como Patrimônio Cultura Brasileiro, devido um dos mais importantes testemunhos do legado cultural da imigração italiana do País.
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Tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional no Rio Grande do Sul (IPHAN-RS) em 1990, o conjunto urbano de Antônio Prado é formado por 48 exemplares de arquitetura popular, a maioria composta por casarões em alvenaria e madeira, ornamentos com lambrequins (elementos decorativos de madeira), localizados ao redor da praça Garibaldi e ao longo da avenida principal.
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O conjunto histórico preservado do município com uma população de 13 mil habitantes (2018/IBGE), é palco de inúmeras manifestações culturais relacionadas à culinária, à música e ao artesanato. Afim de valorizar as tradições, com o projeto Tecendo Memórias, Contos e Cantos - Registro das histórias de tradição oral dos imigrantes italianos no Rio Grande do Sul, foi vencedor, em 2019, na categoria Patrimônio Imaterial da 32ª edição do Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade, premiação que celebra ações no campo da preservação do patrimônio cultural.
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"O tombamento foi fundamental para que tomássemos uma consciência de identidade cultural e de pertencimento", afirma a professora e psicopedagoga Neusa Stimamiglio, criadora do projeto. Neusa lembra que suas primeiras pesquisas sobre preservação das referências culturais de imigrantes italianos também tiveram início em 1990, após o reconhecimento da cidade como Patrimônio Cultural.
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Entre os imigrantes que desembarcaram no Brasil, de 1870 a 1920, os italianos formaram o maior contingente: 1,4 milhão de indivíduos - o equivalente a 42% do total de estrangeiros. Provenientes do norte da Itália, os imigrantes que colonizaram essa região começaram a chegar às áreas da Serra Gaúcha, no Rio Grande do Sul, a partir de 1875. Anos mais tarde, em 1886, um grupo formado majoritariamente por italianos fundou a colônia de Antônio Prado, às margens do rio das Antas.
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Na arquitetura, os italianos criaram o que poderia se chamar a "cultura da madeira". Das tábuas rudimentares rachadas a cunha às tábuas serradas manualmente, até a produção industrial das serrarias movidas a roda d`água e depois a motor, a madeira abundante na região foi o material básico para a construção. Esse acervo corresponde ao período do apogeu da exploração do recurso na região e da proliferação de serrarias, o que possibilitou o surgimento de uma arquitetura em madeira que constitui a maior parte do conjunto a ser preservado.
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O conjunto arquitetônico e urbanístico de Antônio Prado é formado por imóveis construídos entre 1890 e 1940. Muitas casas possuem dois pavimentos e, em algumas, existem porões e sótãos. O pavimento ao nível da rua serve, com frequência, para a instalação de lojas, oficinas e outros estabelecimentos prestadores de serviços.
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Texto: Vinni Maciel/CRS com informações de agências de notícias
Foto: Eneida Serrano/Divulgação
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