A formação de novos vasos sanguíneos a partir dos já existentes, conhecida como angiogênese, é um processo fisiológico bastante complexo que, em humanos, ocorre na formação embrionária, na cicatrização e no ciclo reprodutor feminino. Mas várias doenças, como câncer e retinopatia (lesão inflamatória da retina), têm como característica uma forma patológica de angiogênese. Quanto mais agressivo um tumor, mais angiogênico ele é. Ao mesmo tempo, se um câncer não conseguir induzir a formação de vasos sanguíneos, ele não irá crescer.


Pesquisadores do Instituto de Química da Universidade de São Paulo (USP) utilizaram um modelo animal de retinopatia e informações de um banco de dados com a expressão gênica (comportamento) de quatro subtipos de tumor de mama e encontraram 11 genes que podem ser considerados como uma "assinatura gênica" da angiogênese desses tumores.

A aplicação clínica da descoberta ainda é uma realidade distante. Mas os cientistas acreditam que a pesquisa abre possibilidade para que, no futuro, essa assinatura gênica, associada à idade do paciente e ao estágio do câncer, possa prever a progressão da doença.

"Trata-se de uma pesquisa básica que descobriu um catálogo de genes mais importantes na angiogênese de camundongos com retinopatia e os correlacionou, com a ajuda de bioinformática e aprendizado de máquina, ao comportamento dos genes de tumores humanos. Mas muitos outros estudos ainda são necessários para a assinatura gênica ser usada, na prática clínica, como um indicador de prognóstico", pondera o professor João Carlos Setubal, do laboratório de Bioinformática do IQ e orientador do estudo.

A pesquisa foi feita durante o doutorado em bioinformática do aluno Rodrigo Guarischi-Sousa. O co-orientador foi o professor Ricardo José Giordano, do Laboratório de Bioquímica Combinatorial do IQ e pesquisador dos processos de angiogênese.

Texto: Jornal da USP/Reprodução
Foto: BD/CRS